Sexta-feira, Outubro 07, 2011

Sete de Outubro! Lélia!


Em 7 de outubro de 1934, na Praça da Sé, todos nós, os engajados na luta antifascista (trotskistas, socialistas, anarquistas, stalinistas e democratas), enfrentamos, com armas na mão ou sem elas, a organização fascista-integralista, comandada por Plínio Salgado. Os integralistas estavam todos fardados, bem armados, enquadrados e prontos para uma demonstração de força, protegidos pelas instituições político-militares getulistas e dispostos a tomar o poder. Nós, espalhados ao longo da praça e nas ruas adjacentes, esperamos pacientemente que desfilassem primeiro as crianças, também fardadas, e as mulheres integralistas. Depois disso, quando os asseclas de Plínio iniciaram seu desfile, nós todos, a um só comando, avançamos e começou a luta aberta. Não me lembro quanto tempo demorou o tiroteio. Eu estava junto aos portões do prédio Santa Helena com um grupo de trotskistas, entre eles meu irmão Mário, Fernando Saveiro e outros. Nosso grupo não tinha armas, apenas grossos pedaços de paus e pedras. O embate foi intenso. Fumaça, estampidos e gritos que ecoavam por toda a praça. Houve muitos feridos, entre os quais Mário Pedrosa, que foi baleado numa perna, e um morto, o jovem militante do PCB Décio Pinto de Oliveira. Meu irmão Fúlvio, ao lado deles, socorreu-os imediatamente.
[...]
Os fatos que antecederam e os que se sucederam a este episódio constam da história desta cidade e não cabe, aqui, alongar-me sobre este momento histórico, que contribuiu realmente para deter o ímpeto do integralismo em direção ao poder.

Lélia Abramo

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